CASO · ATUM SANTA CATARINA
Sociedade Conserveira Açoriana, São Jorge. Fotografia, vídeo, conteúdo editorial e redes sociais para transformar um produto tradicional numa marca com território, pessoas e valor percebido.
A Santa Catarina tinha tudo aquilo que uma marca precisa para se distinguir: uma ilha, uma fábrica, um processo em que grande parte do trabalho continua a ser feito à mão, e pessoas que estão lá há décadas. O que não tinha era uma forma de mostrar isso.
A comunicação seguia a lógica habitual do setor: produto, fotografia, características, comprar. Uma lógica que obriga a marca a competir por preço, porque não dá ao consumidor nenhuma razão para escolher aquela lata em vez de outra.
O trabalho começou por inverter essa ordem. Antes do produto vem a origem, as pessoas e o saber-fazer. O produto passa a ser a consequência visível de tudo o que existe por trás dele.
Uma conserveira açoriana que comunica os seus produtos.
Uma marca açoriana com território, pessoas, conhecimento e uma forma própria de fazer.
Uma publicação raramente pertence a um só. Um vídeo da descarga no cais é origem, pessoas, processo e sustentabilidade ao mesmo tempo.
São Jorge, o mar, a Calheta, a chegada do peixe ao cais. A origem deixa de ser uma morada no rótulo e passa a ser o ponto de partida de tudo o que a marca comunica.
O processo artesanal não se afirma, mostra-se. A limpeza do peixe, os gestos, a experiência de quem reconhece o ponto certo. Há indústria, mas não há anonimato industrial.
A rubrica "Conversas na Fábrica" dá rosto a quem faz a Santa Catarina acontecer. Do chefe de manutenção, funcionário número um no registo, a quem descarrega o peixe. Memória viva em vez de organograma.
Filetes, especialidades, ventresca, gamas bio e a coleção das nove ilhas. Cada referência comunicada pela história, uso ou particularidade, para mostrar amplitude sem transformar o perfil num catálogo.
Salto e Vara, Dolphin Safe, Friend of the Sea, prémios e feiras internacionais. Sustentabilidade e qualidade sustentadas em práticas e certificações, não em declarações.
Uma marca não se distingue pelo que publica. Distingue-se pelo que decide não publicar.
Fotografia de produto vende a lata. Fotografia do processo constrói a razão para escolher aquela lata. Passámos a acompanhar, de perto, as descargas no cais, a chegada do peixe, o trabalho dentro da fábrica e todo o percurso até ao produto final.
Custo assumido: boa parte das publicações deixou de empurrar venda direta. É um investimento que só se lê ao fim de meses, e exige que o cliente aceite isso à partida.
Uma empresa sem rostos é uma entidade abstrata, e uma entidade abstrata não gera ligação. Ao mostrar quem faz o trabalho, a marca ganha continuidade, conhecimento e história.
Custo assumido: exige tempo dentro da fábrica, disponibilidade das pessoas e a vontade da empresa em expor-se. É mais lento e mais exigente do que fotografar produto em estúdio, mas compensa.
Uma marca constrói-se por acumulação, não por variedade. Voltamos sempre aos mesmos territórios: a ilha, o artesanal, as mãos, as pessoas, a sustentabilidade. O que muda de cada vez é o ângulo, a imagem, o protagonista. A mesma ideia regressa com outra roupagem, e é essa insistência que a fixa na cabeça de quem vê.
Custo assumido: exige disciplina para não ceder ao que é novo só por ser novo, e trabalho para encontrar um ângulo diferente sempre que se regressa ao mesmo tema.
Há distinções que têm de sair no momento em que acontecem, e saem com o destaque que merecem. O que passou a existir foi um enquadramento. O reconhecimento entra numa cadência definida e aparece ligado ao produto ou ao processo que o justificou, em vez de ocupar o perfil sozinho.
Custo assumido: obriga a planear com antecedência e a resistir à tentação de tratar cada distinção como peça isolada.
Por norma a imagem fala sozinha e a mensagem vive na legenda, onde há espaço para a desenvolver. Mas há conteúdos em que o texto na imagem é a ferramenta certa: carrosséis que pedem ao público que se identifique, chamadas à ação, ganchos de atenção. A regra não é ausência de texto. É intenção.
Custo assumido: cada peça exige uma decisão em vez de um formato automático. Mais planeamento, menos produção em série.
Há coisas que a fotografia não transmite: o movimento da fábrica, o som das máquinas, os gestos repetidos durante anos, as pequenas imperfeições de um processo real. Construímos uma linguagem de fragmentos documentais curtos.
Custo assumido: produção mais cara e mais demorada do que fotografia de produto. Os dados justificaram-na: as oito publicações de maior alcance orgânico são todas vídeo.
Julho 2023 a agosto 2026 · 247 publicações · sem investimento pago
As oito publicações de maior alcance orgânico foram todas em vídeo. A de maior alcance, um vídeo do interior da fábrica, chegou sozinha a 978 mil pessoas.
O movimento da fábrica. O som das máquinas. Os gestos repetidos durante anos. As pequenas imperfeições de um processo real. Fragmentos documentais, não publicidade.
O trabalho para a Santa Catarina não começou por uma campanha. Começou por perceber o que a marca já tinha e não estava a mostrar. Se acha que a sua está no mesmo ponto, seja para uma estratégia, uma identidade, um website, fotografia ou vídeo, estamos deste lado.